Quando o Mundo Falha

Quando o Mundo Falha

Cartas sobre crueldade, adolescência e espelhos partidos – Reflexões sobre o caso Orelha e o que ele revela sobre nós

Escrevo este ensaio em dias de incerteza. As investigações sobre a morte de Orelha ainda estão em curso, não há testemunhas diretas da agressão, não há imagens do momento exato, e ao menos um dos adolescentes inicialmente investigados já foi descartado pela polícia. Presunção de inocência não é tecnicismo jurídico; é princípio civilizatório.

Este texto não acusa ninguém especificamente. O que ofereço são reflexões sobre algo mais amplo: o que a comoção nacional em torno de Orelha revela sobre adolescência, falhas ambientais, e os desafios éticos de nosso tempo. Porque houve uma morte brutal. Houve falha civilizatória. E precisamos pensar sobre isso — com rigor, com compaixão, com humildade.

I. O que resta quando os cães não latem mais
Era janeiro. Calor de litoral, férias, crianças na areia. Na madrugada entre 3 e 4 de janeiro de 2026, algo se rompeu na Praia Brava, Florianópolis. Não foi o mar quebrando nas pedras — esse barulho é antigo, esperado. Foi algo mais silencioso e mais brutal: o último suspiro de Orelha, um cachorro de dez anos que durante uma década inteira foi símbolo vivo de que existe gentileza no mundo.
Orelha não tinha dono. Ou melhor: tinha centenas. Moradores construíram-lhe casinha. Comerciantes separavam comida. Veterinária atendia quando necessário. Crianças faziam festa. Turistas fotografavam. Ele era, à sua maneira canina, prova de que podemos escolher o cuidado em vez da indiferença, a comunidade em vez do isolamento. E então, naquela madrugada, alguém o destruiu. Quando encontrado, Orelha agonizava com ferimentos graves na cabeça. O veterinário que o atendeu foi categórico: não foi acidente. Foi agressão. Deliberada, brutal. Diante da gravidade irreversível, restou apenas a misericórdia da eutanásia para cessar o sofrimento.
Escrevo isso e sinto o estômago revirar. Imagino que você também. Mas não podemos desviar o olhar agora. Não para alimentar nossa indignação justa com especulações sobre culpados, mas para compreender o que essa tragédia revela sobre nós — sobre como estamos (ou não) cuidando de nossos adolescentes, sobre os espelhos partidos que oferecemos a eles, sobre as falhas civilizatórias que se acumulam silenciosamente até explodirem em atos incompreensíveis. Porque aqui reside o espanto: como uma sociedade produz adolescentes capazes de crueldade extrema contra um animal comunitário que representava afeto coletivo?
Não pergunto “quem fez isso?” — essa é tarefa das investigações em curso. Pergunto algo mais profundo: que falhas sistemáticas nos trouxeram até aqui?

II. A sabedoria antiga das perdas
Há uma sabedoria antiga, quase um aforismo da experiência humana: aquilo que nos falta dói mais do que aquilo que nunca tivemos. Pense no menino que conheceu o colo materno e depois o perdeu. Ele não esquece a temperatura daquele abraço. Passa a vida inteira buscando recuperá-lo — às vezes em lugares estranhos, de formas distorcidas. Diferente da criança que nunca conheceu o afeto: esta constrói defesas, torna-se autossuficiente à força. Mas aquela que teve e perdeu… ah, essa
carrega uma ferida peculiar. Esse é o coração de uma das compreensões mais revolucionárias sobre violência juvenil:
muitas vezes, o ato destrutivo não nasce de um vazio primordial, mas de uma plenitude perdida. O adolescente violento está, paradoxalmente, gritando: “Houve algo bom que me foi roubado. Exijo reparação!”
Quando ele rouba, não busca apenas o objeto material. Tenta recuperar simbolicamente aquilo que lhe foi retirado — atenção, reconhecimento, a sensação de que importa para alguém. Quando destrói, está comunicando: “Se não posso ter o mundo que me prometeram, que ninguém tenha nada.” É um grito de esperança mascarado de desespero.

Donald Winnicott, ao fundamentar a psicanálise também na questão do ambiente facilitador, ofereceu-nos essa compreensão. Para ele, a tendência antissocial não se origina primordialmente de conflitos intrapsíquicos, mas de uma deprivação — experiência de perda ou ausência de algo que, em algum momento, esteve presente e foi bom.
Imagine um rio que, durante anos, fluiu tranquilo por seu leito. De repente, encontra uma barragem: suas águas, impedidas de seguir o curso natural, começam a transbordar, inundando margens, destruindo o que encontram. Essa é a imagem da criança ou adolescente que vivencia deprivação: houve um tempo de suficiência — um ambiente que sustentava, que
reconhecia, que permitia o desenvolvimento saudável. Então, algo falhou. O ambiente tornou-se intrusivo, ausente ou inadequado. E o que era potência de vida converte-se em destrutividade.
No caso que nos ocupa, os adolescentes investigados vêm de “famílias estruturadas” — expressão repetida à exaustão nos noticiários. Estruturadas como? Com casas grandes, carros importados, viagens internacionais?
Sim, essas famílias têm estrutura de concreto. Mas será que têm estrutura de afeto? Estrutura de presença? Estrutura de adultos que conseguem sustentar as angústias adolescentes sem desmoronar, sem fugir, sem transferir para empregados ou tablets a tarefa de criar um ser humano?
Porque o que sustenta uma criança não são paredes, mas olhares. E o que estrutura um adolescente não é conta bancária, mas a certeza de que pode explodir, duvidar, testar limites — e ainda assim será acolhido. Não aplaudido, não mimado. Acolhido. Há diferença abissal entre as duas coisas.

III. O teatro digital: espelhos que não refletem, amplificam
Agora preciso falar do elefante na sala — ou melhor, do algoritmo no bolso de cada adolescente.
As investigações policiais sobre o caso Orelha descartaram conexão com grupos online de tortura animal. Isso é importante: este caso específico aparentemente não nasceu de desafios digitais ou comunidades de zoosadismo. Mas isso não torna o fenômeno menos real ou menos urgente para pensarmos.
Porque existe, sim, uma rede global e pulsante onde adolescentes compartilham vídeos de tortura animal. Competem por visualizações. Ganham notoriedade. Alguns até monetizam o horror. Plataformas como Telegram viraram centrais de distribuição. Há rankings. Há desafios. Há uma economia perversa onde dor se converte em likes, e likes em sensação de importância. O zoosadismo digital é real. Organizações internacionais de defesa animal reportaram mais de 80 mil links suspeitos em 2024. Adolescentes no Brasil e no mundo participam dessas redes. Casos documentados na China, Reino Unido, Estados Unidos mostram jovens torturando animais para câmeras, buscando validação em comunidades online que celebram crueldade. Autoridades brasileiras que lidam com crimes digitais confirmam a escalada. A Juíza Vanessa Cavalieri, que acompanha há anos essa violência online, documenta plataformas como Discord onde grupos — as chamadas “panelas” — reúnem-se para praticar e transmitir ao vivo torturas de animais e pessoas. Em 2025, um morador de rua foi incendiado vivo no Rio de Janeiro durante uma dessas transmissões. O fenômeno não se limita a casos extremos: manifesta-se
também no aumento da crueldade no bullying escolar, na violência doméstica de filhos contra mães e avós. É o que especialistas chamam de dessensibilização — cérebros em formação sendo moldados para tolerar graus absurdos de violência.
Mesmo que o caso Orelha não tenha nascido daí, precisamos urgentemente pensar sobre como as redes sociais estão moldando (e deformando) o psiquismo adolescente. Pense nisso como um espelho. Não aqueles espelhos antigos de vidro bisotado que mostravam uma imagem relativamente fiel. Mas esses espelhos contemporâneos — múltiplos,
fragmentados, algoritmicamente manipulados para nos mostrar versões exageradas de nós mesmos. Espelhos que não refletem: amplificam. O adolescente sempre precisou de espelhos. Desde sempre. É olhando como os outros o veem
que ele descobre quem é. Mas antes esses espelhos eram finitos — família, escola, amigos do bairro. Hoje são infinitos, anônimos, ferozes. E eis o paradoxo cruel, documentado pelo Pew Research Center: 48% dos adolescentes
reconhecem que redes sociais fazem mal para pessoas de sua idade. Mas apenas 14% admitem que fazem mal para eles mesmos. É como se dissessem: “Eu vejo o problema no outro, mas em mim… em mim é diferente. Eu controlo.”
Ninguém controla. Os adultos não controlam — por que adolescentes controlariam?
Imagine: você é um jovem de 14, 15 anos. Sente-se invisível na própria casa. Pais ausentes, ocupados, delegando afeto. Na escola, mais do mesmo — professores cansados, colegas competindo por atenção. Você pega o celular. Entra num grupo onde conteúdos extremos circulam. E de repente, você existe. Você tem audiência. É uma droga. Literal. Ativa os mesmos circuitos neurais da cocaína. A OMS alertou que o uso problemático de redes sociais entre adolescentes europeus saltou de 7% para 11% em apenas quatro anos. No Brasil, estudos apontam correlação entre uso excessivo de telas e aumento de
ansiedade, depressão, distúrbios do sono em jovens. A distância entre assistir violência e perpetrá-la pode encolher. O que era barreira moral pode tornar-se desafio. Linha vermelha pode virar convite. Não estou dizendo que redes sociais “causam” violência diretamente. Mas estou dizendo que são parte do ambiente que falha. E Winnicott nos ensinou: quando o ambiente falha, adolescentes vulneráveis podem responder com destrutividade.

IV. Os adultos que não estão lá
Aqui reside algo que me atordoa: segundo as investigações, três adultos — pais e tio de adolescentes investigados — foram indiciados por suposta coação a testemunhas. Eles negam as acusações, e o caso está sob análise do Ministério Público.
Se confirmado, estaremos diante não apenas de adolescentes perdidos, mas de um sistema familiar inteiro que opera numa lógica invertida: em vez de confrontar os jovens com consequências de seus atos, protege-os das consequências. Em vez de oferecer contenção (que é forma de amor), oferece cumplicidade (que é forma de abandono). É como dizer ao adolescente: “Você pode fazer qualquer coisa. Nós cuidamos para que nada te aconteça.” Parece amor, não? Mas é seu oposto. É empurrar o adolescente para uma solidão aterradora onde ele vira deus — onipotente, sem limites. E não existe solidão maior que a omnipotência. Porque se você é deus, não existe o outro. Só você e seus caprichos.

Winnicott foi claro sobre isso: o adolescente precisa de adultos que digam não. Que o impeçam de se destruir e de destruir. Que ofereçam esse tipo estranho de amor que consiste em frustrar, em ser o muro onde o filho pode se apoiar justamente porque o muro não cede. Mas o que acontece quando os adultos abdicam? Quando preferem ser amigos, cúmplices,
protetores cegos? Nasce a falsa maturidade. O adolescente é forçado a parecer adulto antes de ter estrutura para
isso. Perde sua maior vantagem — o direito de ser imaturo, de errar em ambiente protegido, de testar limites sem que o mundo desmorone. E quando não pode ser adolescente, quando não pode brincar, experimentar, viver sua confusão necessária… resta a descarga direta. O ato bruto. A violência como única linguagem disponível.
O caso do índio Galdino, queimado vivo por adolescentes de classe alta em Brasília (1997), nos ensinou isso há quase 30 anos. Adolescentes protegidos demais de consequências, vivendo numa bolha de impunidade familiar, podem chegar a extremos impensáveis. E quando a sociedade não funciona como contentor firme, apenas repete a tragédia em novas versões.

V. Orelha como símbolo do que perdemos
Há algo de profundamente simbólico no fato de a vítima ter sido Orelha. Ele não era “apenas” um cachorro (como se existisse “apenas” cachorro). Era um cão comunitário. Não pertencia a ninguém individualmente. Pertencia a todos. Era
simultaneamente de cada pessoa e de pessoa nenhuma. Durante dez anos, Orelha funcionou como uma espécie de cola invisível entre desconhecidos. O comerciante que separava comida, o morador que pagava veterinário, a criança que fazia
carinho — todos participavam de algo maior que eles mesmos. Uma rede de cuidado espontâneo, sem contrato, sem pagamento, sem obrigação legal. Pura gratuidade. E talvez seja isso que doa tanto. Destruir Orelha não foi apenas matar um animal. Foi atacar a possibilidade mesma de vínculo empático, de generosidade sem cálculo, de comunidade.
Quem quer que tenha perpetrado aquela violência — e isso ainda está sob investigação — escolheu destruir o símbolo da gentileza coletiva. Como se dissesse: “Se não posso ter isso, ninguém pode.”
E o Brasil inteiro sentiu. Mais de 170 mil assinaturas em petições. Manifestações em dezenas de cidades. Cobertura internacional em veículos como Infobae, France 24, La Nación. Políticos de esquerda e direita (pela primeira vez em anos) unidos numa causa. Por quê? Porque reconhecemos, ainda que inconscientemente, que Orelha éramos nós. Todos
nós. Nossa capacidade de cuidar do vulnerável. Nossa escolha diária entre a crueldade e a compaixão.
A reportagem do Fantástico mostrou o desenho gigante do rosto de Orelha feito na areia da praia. Uma homenagem efêmera — o próximo vento a apagaria. Mas enquanto durou, foi testemunho: ainda somos capazes de luto coletivo por uma vida que importava.

VI. O que fazemos agora?
Chego ao ponto onde todo ensaio quer chegar: e agora?
Primeiro, precisamos abandonar a ilusão de que soluções simples existem. Não há lei mágica, não há punição exemplar, não há campanha de conscientização que resolva o que está rachado na base. Mas isso não significa resignação. Significa humildade para reconhecer que estamos diante de um problema de múltiplas camadas:

Camada jurídica: As investigações precisam seguir seu curso com rigor. Sem linchamento moral prematuro, mas também sem impunidade pela influência familiar. Presunção de inocência não significa negligência investigativa. Quem quer que tenha cometido aquela brutalidade precisa ser responsabilizado — não apenas punido, mas responsabilizado, que é processo ativo de subjetivação, não sofrimento passivo. Como alguém me ensinou em diálogo recente: responsabilização é a função alfa da sociedade — transforma elementos beta (angústia bruta, ato impensável) em elementos alfa (experiência que pode ser pensada, elaborada, reparada).

Camada individual: Adolescentes envolvidos em violência extrema precisarão de intervenção psicológica profunda, não apenas medida socioeducativa burocrática. Precisam de espaços onde possam ser confrontados com sua própria destrutividade dentro de um ambiente que sustente esse confronto sem retaliar nem abandonar. É difícil? Sim. Mas é o único caminho que não perpetua a violência.

Camada familiar: Famílias precisam ser incluídas no processo. Não para culpabilização vazia, mas para reconstrução de vínculos. Porque muitas vezes os pais também foram privados — de tempo, de presença, de ferramentas emocionais. A violência atravessa gerações até que alguém a interrompa conscientemente. Se confirmado o acobertamento, isso não pode ser ignorado: precisa ser confrontado, trabalhado, reparado.

Camada social: Precisamos conversar sobre redes sociais como nunca conversamos. A Austrália proibiu menores de 16 anos de acessar redes sociais. Outros países exigem verificação de idade e alertas semelhantes aos de cigarros. O Brasil precisa enfrentar essa discussão. Não por moralismo, mas porque há evidência científica de que essas plataformas causam dano mental em cérebros em desenvolvimento. O ECA Digital, que entra em vigor em março de 2026, traz verificação de idade como primeira medida. É insuficiente, mas é começo. Não podemos terceirizar a formação ética de adolescentes para algoritmos que maximizam engajamento via conteúdo extremo. Plataformas que hospedam e amplificam violência — como Discord, Telegram, e outras — precisam ser responsabilizadas, não apenas os usuários que cometem os atos.

Camada educacional: Escolas precisam ensinar empatia com a mesma seriedade que ensinam matemática. Educar não é apenas transmitir conteúdo — é formar vínculos éticos, capacidade de se colocar no lugar do outro, reconhecimento de que todo ser vivo merece consideração moral.

Camada comunitária: O caso Orelha expôs redes globais de zoosadismo. Mesmo que não tenham se conectado a este caso específico, existem e precisam ser combatidas. Precisamos de canais efetivos de denúncia (Disque 100, Safernet, Polícia Federal), de fiscalização de plataformas digitais, de educação sobre os sinais de radicalização online. É fundamental lembrar: plataformas como Discord têm idade mínima de 18 anos, mas menores acessam livremente. Cabe às famílias monitorar — afinal, quem entrega o celular, paga a conta, vincula o CPF são os adultos. Crianças e adolescentes não compram seus próprios aparelhos. A responsabilidade começa aí. Mas acima de tudo, precisamos de presença. Presença de adultos na vida de adolescentes. Não adultos perfeitos — esses não existem. Adultos suficientemente bons. Que erram, mas se corrigem. Que não sabem tudo, mas estão dispostos a aprender junto. Que conseguem dizer não sem deixar de amar. Que oferecem o
colo quando necessário e o muro quando inevitável.

VII. O futuro que Orelha não verá
Termino voltando ao cachorro que nos trouxe até aqui. Orelha não verá o futuro. Não saberá se sua morte gerou mudança. Não assistirá ao desfecho das investigações, não ouvirá o pedido de desculpas (se vier), não verá crianças sendo educadas de forma diferente. Mas nós veremos. Ou melhor: nós decidiremos. Podemos transformar esse caso em mais um episódio de indignação passageira. Hashtag da semana, matéria no jornal, esquecimento em quinze dias. Ou podemos fazer dele ponto de inflexão. Momento onde finalmente enfrentamos o que estamos fazendo (e deixando de fazer) com nossos adolescentes. Onde reconhecemos que tablets não substituem abraços, que telas não substituem olhares, que dinheiro não substitui presença.
Há um provérbio africano que diz: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.”
Orelha foi cuidado por uma aldeia. Morreu porque algo nessa aldeia falhou brutalmente. Mas a aldeia toda respondeu — com choro, com raiva, com mobilização. A pergunta que fica é: será que essa aldeia conseguirá se reorganizar para cuidar de suas
crianças humanas com a mesma dedicação que cuidou de um cachorro comunitário?
Porque se conseguirmos — se verdadeiramente conseguirmos construir ambientes onde adolescentes possam crescer sem precisar destruir para existir, onde possam sentir que importam sem precisar chocar para serem vistos, onde possam errar sem serem abandonados…
Se conseguirmos isso, então a morte de Orelha não terá sido apenas tragédia. Terá sido semente.

Pós-escrito: A vontade de uma carta aos adolescentes
Se você é adolescente e chegou até aqui, quero te dizer algo diretamente: O que aconteceu na Praia Brava não define sua geração. Você não é responsável por aquela violência. Mas você é responsável pelas suas próprias escolhas.
Sei que é difícil. Sei que o mundo digital te puxa para extremos. Sei que às vezes você se sente invisível na própria casa. Sei que raiva acumula quando adultos não te escutam de verdade.
Mas escuta: violência nunca é resposta. Crueldade nunca te fará sentir menos vazio. Destruir o outro não reconstrói o que está quebrado dentro de você.
Se você está sofrendo, se sente que ninguém te vê, se a raiva parece incontrolável — peça ajuda. Fale com um adulto de confiança. Procure atendimento psicológico. Use os canais de apoio disponíveis (CVV 188, por exemplo).
Você não está sozinho. E você não é seus piores impulsos. Você é também — principalmente —sua capacidade de escolher o cuidado em vez da crueldade. Escolha bem.

Artigo originalmente publicado no (Observatório Psicanalítico da Febrapsi) – OP 658/2026

José Antonio Sanches de Castro
Membro da SBPSP e do GEP Marília e Região

Helen Beltrame-Linné: baseado em uma história real

Helen Beltrame-Linné: baseado em uma história real

Já não me lembro quando escrevi a última carta, nem quando recebi uma, mas me recordo bem do quanto era emocionante a chegada do carteiro, receber aquele envelope com meu nome, e me sentar para ler a carta de alguém distante.

Essa recordação me veio a memória ao conhecer a história Helen Beltrame-Linné, uma idealizadora de sonhos e realizações. Sempre ouvimos que algumas histórias de vida poderiam se tornar filme, no caso de Helen isso realmente está acontecendo.

Nascida em Ribeirão Preto, trilhou um caminho singular que a levou da advocacia corporativa ao coração do cinema europeu, passando a viver na ilha de Fårö, lar do lendário diretor sueco Ingmar Bergman.

Tudo começou aos 17 anos, quando assistiu ao filme Morangos Silvestres de Bergman – e ficou profundamente tocada. A experiência despertou nela um desejo que iria além da simples admiração, algo mudou dentro dela naquele momento, e alguns anos depois, decidiu escrever uma carta ao cineasta. Esse gesto simbólico se tornaria um divisor de águas em sua vida. Helen cruzaria o Atlântico para mergulhar de vez no universo do mestre sueco.

Helen estudou Administração na FGV e Direito na USP, chegando a atuar como advogada em grandes escritórios. Apesar do sucesso profissional, faltava algo: o lado criativo, presente desde a infância. A inquietação levou-a a buscar novos caminhos. A carta enviada a Bergman marcou o início de uma ligação duradoura com seu universo cinematográfico.

Mudou-se para a Suécia e acabou assumindo a direção da Bergman Center Foundation, organizando o prestigiado festival Bergman Week. Durante quatro anos, articulou projetos de impacto, como levar o ator Willem Dafoe para residir em uma das casas do cineasta.

Entre desafios e conquistas, Helen conciliou sua identidade brasileira — marcada pela flexibilidade e pelo improviso — com a tradição sueca, mais metódica. Esse intercâmbio cultural ampliou seu olhar artístico e sua percepção do papel da memória cinematográfica.

Agora, sua própria trajetória chega às telas no filme “Uma Carta para Bergman”, coprodução da MVM Movimentos Culturais (Ribeirão Preto) e da Cinemascópio (Recife), com participação de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux. A obra mistura documentário e ficção, colocando Helen tanto como personagem quanto como diretora de si mesma.

Mais do que contar a história de uma jovem que escreve a Bergman e acaba morando em Fårö, o filme reflete sobre identidade, coragem e a busca por autenticidade. O filme é um convite para que cada pessoa encontre e honre sua versão mais fiel de si.

Helen mostra como escolhas aparentemente simples — como escrever uma carta — podem redefinir destinos. Sua trajetória inspiradora faz com que os sonhadores e determinados não se conformem com caminhos já traçados, mas busquem a interseção.

Sua história ressoa como exemplo de que a arte e a psicanálise compartilham um mesmo território: o da escuta do inconsciente, da coragem de olhar para dentro e da possibilidade de criar novos sentidos para a vida.

As principais contribuições de Thomas Ogden para a clínica psicanalítica

As principais contribuições de Thomas Ogden para a clínica psicanalítica

”Assim como oceano só é belo com o luar

Assim como canção só tem razão se se cantar

Assim como a nuvem só acontece se chover

(…) Não há você sem mim e eu não existo sem você”

Tom Jobim / Vinicius de Morais

Thomas Ogden, psiquiatra e psicanalista americano, filiado à International Psychoanalytical Association (IPA), nasceu em 04 dezembro de 1946. Mora em São Francisco, Califórnia, e ao longo desses anos trouxe uma grande contribuição para o desenvolvimento da Psicanálise ao centralizar seus estudos, questionamentos e ampliação da teoria do desenvolvimento da personalidade, da interação intersubjetiva e do processo psicanalítico. Tem um grande volume de publicações, grande parte delas traduzidas e publicadas em português, atualmente mais intensamente pela Editora Escuta com a coleção Kultur. Ganhador dos mais importantes prêmios da Psicanálise, Ogden propõe um novo olhar para o processo analítico. Seus pilares e referências teóricas são Freud, M. Klein, Bion, Tustin, Fairbairn e Winnicott. Ele é visto como psicanalista e escritor. Suas obras são muito bem escritas e de grande profundidade.

Ogden se destaca como uma das mentes mais brilhantes no cenário psicanalítico atual, com perspectivas intuitivas e profundas sobre o funcionamento e desenvolvimento mental, bem como sobre o que ocorre na relação analítica, além de ser um autor inventivo e premiado e ter da literatura e da escrita uma visão interativa bastante peculiar.

Centralizarei o relato de suas principais contribuições nos conceitos que surgem da interação dialética entre sujeito e o objeto ressaltando uma nova forma de destacar a intersubjetividade. Os sujeitos criam-se mutuamente, não há analista sem analisando e não há analisando sem analista, mesmo quando as individualidades são mantidas e consideradas. O analisando não é só o sujeito da investigação, o analista compõe essa investigação, é sujeito dela também quando empresta suas rêveries advindas de seu posicionamento vindos do senso de vitalidade e desvitalização de ambos. Talvez esse seja o ponto nodal do processo analítico. Ela está nos bastidores de todos os momentos da sessão. Ogden dá grande importância à experiência de estar vivo e que as palavras e a escrita estejam vivas também. E em constante movimento, quando a dupla está estagnada a possibilidade de transmitir o sentido da experiência humana fica estagnado também.

O objetivo da tarefa no processo analítico, na escrita e na busca pelas palavras é usar a linguagem para aprimorar a tradução da experiência humana, poder captá-la em graus mais profundos. Não é falar, escrever ou psicanalisar sobre, mas é o esforço de criação da experiência de vitalidade humana. A vitalidade precisa ser vivenciada. Com essa vitalidade o analista tenta se manter inconscientemente receptivo para desempenhar papéis na vida inconsciente do analisando. Ele dá uma parte de sua individualidade que nasce de ambos.

Requer um grande investimento de ambas as partes. Disso depreendemos a ideia da enorme importância que é tornar-se um analista constantemente. Adquirir uma possibilidade de ser um determinando analista para cada analisando.

 “Aprender a falar com a própria voz e com as próprias palavras requer que a pessoa aprenda a ouvir e a usar os sons vivos da fala”. 

E direcionando para aquele paciente.

Esse desafio, a fala humana viva, é difícil de ser adquirida para analisar, escrever e falar. Para Ogden, o que faz abrir um abismo entre o par analítico é o impedimento de ouvir de modo imaginativo e livre os pensamentos, sentimentos e sensações inconscientes de ambos. O esforço embutido na tarefa analítica é a tentativa do par para ajudar o analisando a se tornar humano em um sentido mais amplo. Ele atribui esse esforço entre as poucas coisas que pode ser mais importante do que a sobrevivência.

Em sua visão, toda forma de psicopatologia em geral pode ser vista como a incapacidade de crescer. De vir a ser plenamente de uma maneira que pareça real. A experiência de não crescer, não mudar, não se tornar, é um estado de ser no qual a pessoa é incapaz de sonhar, de se engajar em um trabalho psicológico inconsciente e consequentemente incapaz de imaginar a si mesmo, de imaginar a si mesmo na existência. Em outras palavras, uma medida significativa da gravidade da doença psíquica é o grau em que o tornar-se cessou.

A experiência de ser e tornar-se em saúde é uma qualidade fundamental de estar vivo desde o início até o fim da vida.

Cibele di Battista Brandão é membro efetivo e analista didata da SBPSP e membro titular do GEP Marília e Região. 

Imagem: Shutterstock 

As opiniões dos textos publicados no Blog da SBPSP são de responsabilidade exclusiva dos autores.

PASSAGENS PEDEM PRESENÇA

“Faça uma lista dos grandes amigos
Quem você via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você não encontra mais…”
(Osvaldo Montenegro)

  28 de maio de 2022 vivemos no Núcleo de Psicanálise de Marília e Região um momento muito importante!

Voltemos um pouco…

Em março de 2020 foi decretado: todos isolados, a força brutal da vida e da morte se apresenta de modo real! Um golpe profundo em nosso eu! Parecia que a capacidade de sonhar havia sido extinta de nossas vidas, perdemos o
paladar, o olfato, o ar que respiramos, força da vida, ficou perigoso e raro, trazia com ele algo letal! Nossos medos mais arcaicos foram re-ativados. O cuidado com o outro era necessário, descobrimos nossa força destrutiva, mas,
também tivemos a oportunidade de sentir em tom maior nossa força amorosa. O medo de enlouquecer e cair no vazio psíquico nos assolava.

No início de maio de 2022, nossa querida colega, Cássia Teixeira Assef, nos faz um convite. “Quero presença, de corpo e alma, na apresentação do meu relatório”! Assim voltamos a sentir sentimentos antigos, guardados em nós,
aguardando a hora de voltar para o presencial. Sentimentos que um abraço, um aroma, um olhar ao vivo, há muito tempo não experimentávamos.

A jornada para o vir-a-ser um psicanalista é longa, árdua, cheia de flores e espinhos. A passagem é sempre brindada entre grandes amigos que fazemos ao longo dessa caminhada. Havíamos perdido isso, o ritual de passagem
acontecia virtualmente, mas, não tinha o mesmo sabor, a mesma cor, as sensações ficavam prejudicadas pela falta de corpo.

Neste encontro, alguns de máscara, outros sem máscara, cada um voltando à vida de um modo muito singular, mas algo ali era comum a todos. O olhar, que não estava ofuscado pelas lentes de uma câmera, olhares vivos, vibrantes, que comprovava, estamos vivos, pulsão de vida sobrepujando pulsão de morte!

Foi inevitável sentir a ausência dos que tanto sonharam com essa volta, mas a força da natureza humana não os permitiu estar lá, presentes concretamente, a morte foi soberana! Nosso querido José Antônio Pavan que sonhou concretizar um espaço para a “Sede no Núcleo” deixou para nós a base, a fundação! Agora nos resta levantar paredes que possam conter esse sonho tão sonhado. As ausências foram presença viva neste encontro.

Dr. Alfredo Colucci, representante de todos os pioneiros, com sua habitual generosidade trouxe sua presença marcante, conduzindo-nos ao caminho da fé e esperança, reacendendo em nós uma chama para a vida psicanalítica.

O Núcleo, um lugar que alberga nossos sonhos de vir a ser psicanalistas, lugar de muitas lutas e conquistas, neste dia 28 de maio de 2022, nos acolheu em seu berço para receber uma analista, que nos apresentou um trabalho primoroso, cheio de vida e de verdades, que nos impulsiona a seguir confiantes de que um(a) analista é aquele(a) que sem medo vive um encontro de almas, correndo riscos, se embrenhando por lugares nunca visitados em nós e em nossos analisandos.

Uma data memorável, que venham outros encontros de corpo e alma!!

Maria Inês Alves

Membra filiada da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e membra agregada do Núcleo de Psicanálise de Marília e Região.

Resumo: A Psicanálise diante do racismo: um olhar sobre o racismo sofrido pela população negra no Brasil

Evaldo Ferreira da Silva

No final de 2021, o Curso de Formação em Psicoterapia Psicanalítica formou o aluno Evaldo Ferreira da Silva, que desenvolveu uma pesquisa bibliográfica sobre o racismo sofrido pela população negra no Brasil, sob orientação da professora Vânia Maria  Martins Lopes. A seguir, conferimos um breve resumo de seu trabalho.

No Brasil, o racismo está presente no nosso cotidiano. Ele não é assumido socialmente, mas é aceito e há silêncios a respeito, decorrentes de razões distintas ou até contraditórias. Esses silêncios, quando não fortalecem o racismo, o mantém, pois resultam no não enfrentamento. E diante de lamentáveis episódios de racismo noticiados ou  presenciados, pouco ou quase nada vemos no sentido da mobilização da sociedade e das instituições. Temos, por vezes, comoção, entretanto  em geral estas  não chegam a romper o imobilismo, assim se perdem, se esvaziam, sendo pouco ou nada valorizadas num eventual e possível processo de desconstrução de preconceitos raciais enraizados.

Almeida (2019) compreende o racismo como ideologia que molda o inconsciente. Assim, independe de uma ação consciente para existir, já que ele é estrutural, abrangendo economia, política e subjetividade. No senso comum é frequente interpretações equivocadas  sobre racismo,  sendo também frequente, vítimas de racismo não serem compreendidas nas suas queixas e suas dores.  Discorremos a seguir sobre três concepções de racismo as quais Ameida (2019) traz  distinções.

Individualista: É a mais corriqueira, e para quem assim o concebe, entende o racismo como um ato, que está sempre vinculado ao ato, deliberadamente, desse modo é resultado de uma ação de um indivíduo, ou de grupos de indivíduos. Na concepção individualista, o racismo é uma anormalidade.

Institucional: Não se manifesta apenas a partir de atos individuais. Basta apenas não tomar ações necessárias para coibir, como por exemplos o silenciamento, salário menor para o homem negro, e menor ainda para a mulher negra, pois as instituições nos seus modos de funcionamentos criam condições para que isso ocorra e  permaneça.

Estrutural: É estrutural porque integra a organização econômica e política da sociedade de forma inescapável, fornecendo assim o sentido, a lógica e a tecnologia para a reprodução das formas  de desigualdade e violência que moldam a vida social contemporânea. É então uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo “normal” com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo institucional, pois os comportamentos individuais e processos institucionais são derivados de uma sociedade cujo racismo é regra e não exceção.  O racismo não é só violência, ele forma os indivíduos, as instituições, cria cenários, com atores e papeis outorgados. Assim o racismo  não é uma anormalidade, exceção, mas algo que se constitui enquanto um parâmetro normalizado nas relações. Diante disso, ocorre uma acomodação, naturalizamos e aceitamos os papeis socialmente   construídos.  Para Schucman (2008) o racismo é estrutural e estruturante da subjetividade, pois o branco tendo se colocado à parte das questões raciais, ficou como um padrão universal de norma e normalidade, ocorrendo inclusive, o que Bento (2002) denominou de pactos narcísicos da branquitude, por isso haver entre outras coisas,  negação da problemática do racismo, alianças inconscientes intergrupais,  manutenção do poder e privilégios brancos.

Diante de toda a complexidade do que é o racismo, para ser antirracista é necessário um conhecimento sobre racismo e é fundamental perguntar-se. O que tem de racista em mim? Para assim reconhecer e ser possível uma mudança, uma transformação, segundo Paim (2020), sendo necessário para isto, olhar a branquitude por um viés crítico. A pesquisadora Lia Vainer Schucman, traz em seu trabalho “Teorias críticas da branquitude”  uma descrição    a respeito da brancura construída socialmente, como um lugar de poder e privilégios, citando entre outros autores,  RAMOS (1957) “A patologia do branco brasileiro”, compreendendo como uma patologia, o que fora acontecendo historicamente, de o branco estudar o negro como objeto negro, devido à construção social de que ele branco é universal, e os demais têm raça.

Pesquisamos na Revista Brasileira de Psicanálise, no período de 2009 a 2021 (disponível no site da FEBRAPSI), os artigos publicados sobre, cujo resultado discorremos a seguir, de  maneira a ilustrar bem:  Em 2009,     2010, 2011 e 2012, não houve nenhum artigo publicado pela Revista Brasileira de Psicanálise. Em 2013 houve um. Em 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018, novamente não houve nenhum. Em 2019 houve um. Em 2020 foram três. Uma observação: além desse resultado, encontramos também um artigo não sobre sobre racismo, mas sobre adoção inter-racial. A pouca quantidade de artigos publicados, bem como os hiatos entre eles nos fez pensar e nos perguntarmos: se o racismo permeia e rege relações huamanas no nosso cotidiano, se temos episódios e mais episódios de racismo, e desdobramentos  como, mortes, adoecimentos, injustiças de todas as ordens, exclusões, incompreensões, violências, traumas psíquicos e físicos… por quê o racismo não tem sido objeto de interesse para estudo, no âmbito psicanalítco? Por quê os silêncios? Ainda que atualmente percebe-se alguma mudança, há muito o que avançar, pois “ sendo poucos os trabalhos, são menos ainda, os com especificidades” Paim (2020).  Curiosamente, a primeira tese de mestrado no Brasil a abordar sobre o racismo é de Virgínia Bicudo, cuja tese só foi publicada 65 anos mais tarde e, apesar de todo o seu pioneirismo, importância e contribuições para a Psicanálise no Brasil, e de muito ter contribuído para difundí-la, Virgínia sofreu uma invisibilidade, segundo Pereira (2018),  não tendo havido uma valorização de suas produções dentro da bibliografia psicanalítica acadêmica, o que Conceição (2020), chamou de apagamento da história, por causa do racismo e machismo existentes na nossa sociedade.

Este trabalho nos possibilitou caminhar para um letramento racial, uma alfabetização  sobre racismo, de modo que conseguimos aprender sobre  o que é o racismo estrutural, que ele estrutura nossa subjetividade, e ter podido caminhar para ter  consciência racial  fica evidente que “o racismo ocorre porque o branco precisa do negro  como depositário” Paim (2020),  que os psicanalistas brancos, precisam dar conta disso primeiro em si, para num segundo momento dar conta disso no outro,  que a branquitude como um lugar de poder traz privilégios, que geralmente as conquistas são  compreendidas apenas como uma questão de mérito, e não de uma sociedade que privilegia o branco e exclui o negro, e que portanto numa sociedade racista, não há democracia. 

O trabalho completo pode ser consultado na Biblioteca “Alfredo Menotti Colucci” do Núcleo de Psicanálise de Marília e Região. Agende sua visita! Para mais informações: biblionpmr@gmail.com ou (14) 3413-3307 – (14) 99614-6782.

 

SILVA, Evaldo Ferreira. A Psicanálise diante do racismo: um olhar sobre o racismo sofrido pela população negra no Brasil. 2021. Monografia (Especialização) – Curso de Formação em Psicoterapia Psicanalítica, Núcleo de Psicanálise de Marília e Região, Marília, 2021.

Vocês podem ver também sobre o tema na biblioteca em:

PAIM FILHO, I. A. Racismo: por uma psicanálise implicada. Porto Alegre: Artes & Ecos. 2021, 79p.

Evaldo Ferreira da Silva – CRP 06/136087

Psicólogo pela FAP – Tupã – SP
Formação em Psicoterapia Psicanalítica pelo NPMR
Membro agregado do NPMR

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